"Um atacante perde dez gols e marca um, sai como o herói da partida. Um goleiro faz dez defesas e falha uma vez, é visto como vilão." Essa frase do goleiro Felipe, do Corinthians, de certa forma resume o assunto deste post.
É curioso ver que um atacante pode falhar (perder gols feitos, errar passes etc) repetidas vezes em um jogo, desde que faça um gol - por mais fácil que seja - determinante para seu time sair vitorioso. Agora imaginemos um jogo decisivo, em que esse atacante não fez esse gol ainda... a partida está 0x0, ele já perdeu várias chances... Enquanto isso, lá atrás o goleiro faz sua parte, fazendo várias defesas. Ocorre, porém, que, ao apagar das luzes, esse mesmo goleiro cai atrasado para a defesa, e a bola, de um chute relativamente fraco, acaba passando rasteira por debaixo de seu corpo. Gol, 1x0, título para o time adversário. Xingamentos, críticas, talvez até perda de posição no time titular. Tudo isso para o atacante, que perdeu chances claras de gol durante o jogo, protagonizando lances de caneladas e furadas? Nada. Tudo isso para o goleiro. Afinal, futebol é medido por resultados, e a culpa pelo gol foi do goleiro, que tinha totais condições de defender mas não o fez.
Se o atacante também tivesse um pouco mais de qualidade, e tivesse convertido em gols pelo menos duas das chances que teve, a falha do goleiro talvez nem seria lembrada futuramente. Tudo bem, partindo-se então do pressuposto de que o atacante não teve essas chances, nada pôde fazer para ajudar o time. Mesmo isso não faz com que a culpa seja 100% do infeliz goleiro. A jogada que originou o chute fraco do adversário, culminando na falha do camisa 1, existiu porque alguém errou o passe, ou falhou na marcação de um determinado jogador. Não, não quero com esses pequenos lembretes transferir a responsabilidade daquele gol para os jogadores de linha. O goleiro falhou, sim, e tem de assumir a culpa, independentemente de outras falhas individuais. Entretanto, é necessário perceber que, por mais bisonha que tenha sido sua falha, o arqueiro não pode ser crucificado como o único culpado de uma derrota. Nem um árbitro. Nem um técnico. Há sempre uma falha coletiva por trás de uma derrota, sejam as falhas individuais gritantes ou não.
E uma última observação, é nítida também a falta de reconhecimento de uma atuação espetacular de um goleiro, quando ofuscada por um gol de título, por menos conhecido que seja o jogador. Exemplo disso: final do Mundial de Clubes de 2006. Gabiru faz o gol. Torcida em êxtase. Mas o êxtase estava prestes a virar decepção quando Deco acertou um belo chute; a bola só não estufou as redes porque Clemer fez uma intervenção espetacular. Quantos lembram desta? Provavelmente, muito menos do que os que lembram do gol de Gabiru.
Mas claro que não deve haver nenhuma mudança drástica nesse tipo de análise. Afinal, o gol é o momento mágico do futebol, não as defesas de um goleiro. É com gols que se constrói um placar, as defesas apenas impedem sua modificação. O post objetiva apenas mostrar que, às vezes, critica-se exageradamente um jogador em particular, ou não se dá o devido reconhecimento a uma atuação sua por causa da atuação de outro, até menos brilhante, mas decisiva no resultado de uma partida. Sim, goleiros, muitas vezes vocês são injustiçados. Azar o de vocês, que escolheram justamente jogar no mais maldito lugar do campo, "onde não nasce grama".
sábado, 14 de março de 2009
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